Documentação

Estudo multidimensional e amplitude de variação do nível competitivo nos escalões de formação sub-17 e sub 19 no futebol

Objetivo: O presente estudo analisou as diferenças existentes a nível dos fatores de treino (técnicos, táticos, físicos e psicológicos) em diferentes escalões de formação (juvenis vs juniores) com níveis competitivos diferenciados (distrital vs nacional). Metodologia: A amostra foi constituída por 66 jovens futebolistas em que se analisou e avaliou os fatores técnicos, táticos, físicos e psicológicos de duas equipas de Juvenis [uma de nível regional [Equipa A (n=18)] e outra nacional [Equipa B (n=20)] e duas equipas de juniores (uma de nível regional [Equipa C (n=16)] e outra nacional [Equipa D (n=12)]. Neste estudo foram consideradas variáveis somáticas (estatura, massa corporal, altura sentado, adiposidade), de maturação (através do maturity offset), de desempenho funcional através da prova de agilidade (10x5m), força explosiva dos membros inferiores (CMJ-salto com contra movimento), endurance aeróbia (teste Yo-Yo nível II) e capacidade anaeróbia (7 sprints). Estudou-se as habilidades motoras específicas através da aplicação do M-teste (teste de condução de bola em velocidade) e passes à parede. Foram ainda considerados questionários para a determinação psicológica (TEOSQ) e determinantes táticas (TACSIS) dos jogadores. Analisou-se os dados obtidos através da utilização do teste t-student, mantendo-se o nível de significância nos 5%. Resultados: Os resultados expressam diferenças substanciais entre os dois escalões de formação, de acordo com o nível competitivo a que pertencem. Também podemos afirmar que na maior parte dos testes avaliados os grupos de nível competitivo superior (independentemente do escalão) apresentaram resultados superiores. Podemos constatar que no escalão de Juvenis encontrámos diferenças significativas entre os grupos na prova de agilidade, no M-teste e nas dimensões táticas do jogo, em favor da equipa da nacional. Relativamente ao escalão de Juniores encontrámos diferenças entre grupos na estatura, endurance aeróbia, 7 sprints, nas provas de habilidade motoras, na orientação para o ego e nas dimensões táticas estudadas, em favor da equipa da nacional.

Conclusões: Podemos concluir que o escalão de formação mais elevado (Juniores), diferenciou-se dos demais, sobretudo, a nível das capacidades funcionais, psicológicas e a nível antropométrico. No que respeita as aspetos técnicos e táticos estes apresentaram alguma similitude entre grupos ainda que o de nível competitivo nacional denotasse valores superiores nos dois escalões estudados. Os resultados encontrados sugerem que os fatores táticos assumem um papel preponderante no escalão de juvenis enquanto os fatores técnicos assumem um papel determinante no escalão de juniores.

Autor: Ferreira, Hugo Filipe Nunes
Data: 2012

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